
Como parte das comemorações dos 60 anos da telenovela brasileira, a Rede Globo decidiu exibir pela terceira vez “Mulheres de Areia”, de 1993, uma adaptação de uma outra novela também escrita por Ivani Ribeiro em 1973.
A história central da trama girava em torno da rivalidade entre duas irmãs gêmeas idênticas na aparência e opostas no caráter, Ruth e Raquel, interpretadas pela atriz Glória Pires.
Na abertura original, a então modelo Mônica Carvalho alternava bailando seminua entre ambientes arenosos e aquáticos e entre tons avermelhados e azulados, representando a dicotomia e a rivalidade entre as duas irmãs. Isso fica claro principalmente na parte final da vinheta no qual mostra os corpos sobrepostos. Se uma é clara e pura, assim como a água, a outra irmã é densa e turva como areia. Além disso, a ideia central vem do próprio título da novela, originado a partir das esculturas femininas produzidas na praia fictícia de Pontal D’Areia pela personagem Tonho da Lua (Marcos Frota).

Mas o que mais chamou a atenção com a reprise do folhetim não foi somente a lembrança de uma abertura bem construída e icônica, mas sim as mudanças empregadas nela. Com medo de que houvesse algum impedimento legal junto ao Ministério Público, a Rede Globo editou a abertura escondendo parte do corpo da modelo. De acordo com a emissora, os valores morais atuais não permitem que essas cenas sejam exibidas no horário da tarde. Apesar de veiculada há 18 anos, é de se estranhar que de lá pra cá regredimos quando o assunto é nudez em forma de arte.
Além disso, para disfarçar a qualidade menor de acabamento da época e mantê-la mais atualizada, a abertura sofreu ainda outras alterações visuais (algumas bem dispensáveis), tais como barras no topo e rodapé, brilhos exagerados e mudança na apresentação dos créditos, menores e mais discretos.
Atualização: A versão editada da abertura com o intuito de ocultar as partes do corpo da modelo foi exibida primeiramente na reprise de 1996. Esse ano, a edição foi acompanhada de outros efeitos que esconderam ainda mais os atributos “proibidos”.
Abertura original sem os créditos, exibida em 1993
Abertura editada, exibida em 1996
Abertura editada, exibida em 2011
Ficha Técnica
Ano: 1993
Canal: Rede Globo
Produção: Hans Donner e Rede Globo
Trilha: “Sexy Iemanjá” (de Pepeu Gomes por Pepeu Gomes)
(atualizado em 20.09.2011)
Tags: abertura, hans donner, mulheres de areia, Rede Globo, vinheta
setembro 15, 2011 às 6:21 pm |
Sinceramente? Achei muito barulho por nada.
Quando saiu a notícia de que a Globo mudaria a abertura por causa de “valores morais”, todo mundo meteu o pau (com razão, aliás – isso lá é argumento?), mas no fim das contas não percebi nenhuma mudança importante na performance da atriz.
E também achei de bom gosto a colocação das barras no topo e no rodapé e, principalmente, a redução do tamanho da fonte dos créditos.
André, não costumo comentar aqui (aliás, acho que essa foi a primeira vez), mas sou um leitor frequente e gosto mundo do blog. Parabéns.
setembro 15, 2011 às 8:48 pm |
Sempre bom saber aqueles leitores assíduos “escondidos” se manifestando. Espero que continue acessando ao blog. Muito legal!
setembro 15, 2011 às 10:13 pm |
Eu achei horrível!Exageraram no vermelho e no fim das contas acabou mostrando tudo no final da abertura.Detalhe:a abertura de 1996,quando teve a reprise,a abertura já estava editada,na qual borraram os mamilos.Não tinha mais necessidade de mudança.
setembro 15, 2011 às 10:55 pm |
O interessante é que a Globo já havia modificado a abertura dessa novela, se eu não me engano, ainda durante a sua primeira exibição, também em virtude do conteúdo erótico — uma temática, aliás, bastante incomum para uma novela que não era exibida no horário nobre (18h), um fato que só vem a contestar ainda mais esses valores morais defendidos atualmente pelo Ministério Público, no que tange ao conteúdo dos programas de televisão. E o pior é que nada disso deu certo, pois ainda dá para ver bem os seios da Mônica Carvalho, especialmente no fim da vinheta.
Quanto à nova abertura em si, eu achei um horror. Não tanto pela questão da censura, mas pelos recursos utilizados para esse fim, que deixou deformada toda a belíssima arte criada por Hans Donner. Acrescento às alterações dispensáveis já citadas, a assinatura da novela (aqui, ao menos, eles poderiam ter retirado os efeitos) e a má organização dos créditos, que ultrapassam os limites das barras laterais. Eu só estou em dúvida se essas mudanças foram feitas não só por causa do fator nudez, mas também para dar um upgrade moderno à abertura. Se sim, eu acho que eles falharam miseravelmente.
Avaliação: uma estrela.
setembro 16, 2011 às 10:48 am |
Gostei da redução no tamanho dos créditos, mar concordo com Caio que ficou mal organizado, ultrapassando o limite das barras. Mas o que mais me incomoda é o tom de vermelho que foi utilizado. Estragou um belo trabalho.
setembro 17, 2011 às 7:39 pm |
Tudo bem… colocar barras para esconder um pouco… mas os creditos saindo pra fora das barras… esse brilho exagerado… (Luce, com certeza) e as barras em cima do logo da novela doi coisa de estagiário… MALFEITO…
setembro 18, 2011 às 12:02 pm |
Jorge,
Realmente essa falta de cuidado é realmente gritante. Mas não culpe o coitado do estagiário. Acho que nem ele faria algo desse tipo.